Dialéticas barroca

Dialéticas Barroca

A obra de Ailton Fernandes nunca temeu romper as barreiras e extrair um tônus poético que atravessasse a paralisia criativa. Suas fotografias, desta exposição, já são parte de uma iconografia histórica, que guarda as cores e os pigmentos dos monumetos históricos de duas das mais importantes cidades históricas das Minas Gerais – Ouro Preto e Mariana.

Buscando essa Dialética Barroca, nos deslumbramos ao ver a força motriz dessa exposição e sua poética visual. As imagens, ora apresentadas, tiram do expectador a força do hábito e das convenções, dai surge a intensidade – O deslumbramento requer a intensidade – O difícil na arte, podemos concluir, é transmitir exatamente o deslumbramento e dar permanência a um sentimento tão fugaz.

Tal intensidade é conquistada não apenas no trabalho. Mas, principalmente no afeto despejado em cada imagem. O exercício aqui apresentado supera a técnica do saber, do fazer, da destreza e parte em busca do virtuosismo poético. Só assim, advém algum deslumbramento.

Por fim, fotografar não se trata de reproduzir o que estava lá, mas de fazer do deslumbramento um acontecimento, um encontro único. A imagem deve ser, e é no fundo, uma metáfora para o fazer poético – Ir em busca de diferentes modos de ver e de ser no mundo.