Resenha do livro A mente do Fotógrafo

Na semana passada eu fiz a resenha do livro “O Olhar do Fotógrafo”, e conforme prometido eis agora a resenha do segundo livro do Michale Freeman, também publicado pela editora Bookman. Caso você não tenha lido a primeira resenha do livro “O Olho do Fotógrafo”, veja a resenha clicando neste link. Inclusive antes de ler o que está adiante, acho importantíssimo que você leia a resenha anterior, visto que estes dois livros são em grande parte complementares.

Enquanto “O Olho do Fotógrafo” é um livro um pouco mais prático, ou seja, o conteúdo ali apresentado pode ser colocado em prática de forma imediata, este “A Mente do Fotógrafo” traz uma proposta um pouco mais filosófica e autoral para a fotografia.

Se em “O Olho” tínhamos questões objetivas sobre composição, design, harmonia de cores etc., neste “A Mente” temos questões sobre a harmonia do enquadramento, a questão autoral da busca do próprio processo criativo para a execução das imagens, a reflexão pessoal por trás de cada imagem, e isto diferencia bastante os dois livros.

Há também questões práticas, dicas e informações de uso imediato, não é que seja um livro apenas sobre filosofia da imagem, que isso fique claro, não estamos falando de um livro como os escritos por Roland Barthes ou Susan Sontag, este segue sendo um livro mais prático, bem recheado de exemplos visuais de compreensão imediata, mas ainda assim, posso dizer que ele é mais profundo do que “O Olho”.

Um fator bastante positivo do autor é o fato dele sempre buscar referências fora da fotografia, indo em direção à pintura, ao design e mesmo à música, essa busca de referências cruzadas é importantíssima para qualquer artista, e não deixaria de ser para os fotógrafos, e neste aspecto Michael Freeman é um dos poucos autores de livros sobre fotografia que mostram a importância dessa busca cultural mais abrangente.

“Alguma coisa está em frente à câmera? Dispare que você terá uma imagem dela, com ou sem nenhum pensamento. Fazendo isso com certa frequência, pode-se produzir algumas pérolas, mas pensar primeiro certamente trará melhores resultados.”

Acho que esta frase resume bem este fantástico livro “A mente do fotógrafo”,  e que, em minha opinião, todo fotógrafo ou amante da fotografia que quer se destacar, deve ter.

“A mente do fotógrafo”  não é daqueles livros práticos, ou seja, onde você acaba de ler determinado capítulo e pode exercitar o que ali foi dito. A princípio, pode até desanimar algumas pessoas, mas, após ler o primeiro capítulo, você já tem a nítida noção a que se propõe o livro. É um livro que segue a linha filosófica da fotografia, que te ensina a pensar a fotografia antes de apertar o botão.

O que mais me chamou a atenção, é que ele te “força” a pensar mais sobre a sua fotografia, o que realmente você gosta de fotografar, as formas de se construir uma bela fotografia.

Mostra, também, o lado da harmonia e a forma de se aproveitar melhor o enquadramento de acordo com o sistema fotográfico que se possa vir a usar.

Outro ponto que me chamou a atenção são as referências descritas ao longo do livro, apontando para consultas temáticas na internet, fotógrafos e obras relacionadas ao que foi dito no capítulo.

“Agora, mais do que nunca, os fotógrafos sentem a necessidade de colocar uma marca pessoal em suas imagens. Naturalmente, isso depende da personalidade (algumas pessoas prezam a individualidade, enquanto outras apenas querem satisfazer a si mesmas tornando-se mais habilidosas), mas a fotografia foi além de um simples surto de popularidade para se tornar uma atividade quase universal.”

“A mente do fotógrafo” se torna uma importante referência quando se quer conhecer e aprofundar-se mais na maneira de criação de uma imagem, seja ela bastante ou pouco geométrica, harmoniosa  e saber um pouco mais sobre os famosos clichês.

Minha visão sobre a fotografia mudou bastante depois que li a obra. E tenha certeza, um livro deste nível precisa fazer parte de sua biblioteca.