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Resenha do Livro “O Olho do Fotógrafo”de Michael Freeman

Antes de começar esta resenha, devo agradecer a minha “amiga-irmã ou irmã-amiga” Marlielle de Castro Cotta que me presenteou com este livro. Um presente maravilhoso que me ajudou muito nas questões de composição fotográfica. Devo dizer antes de qualquer coisa que a apresentação cuidadosa deste livro agregou pontos positivos ao produto pois mostrou o cuidado da Editora Bookman com seu produto.

Mas vamos ao livro, pois todo esse esforço de apresentação de nada valeria caso o livro fosse ruim, e já devo adiantar o final desta resenha dizendo que o livro é muito bom, assim como o trabalho de tradução, o que é algo raro no mercado brasileiro.

Livro “O olho do Fotografo” – Michael Freeman

Eu já conhecia a versão em inglês, “The Photographer’s Eye” e o tinha como um grande livro, e fiquei feliz em ver que a tradução foi feita de forma muito competente, fazendo com que a versão nacional não fique devendo em nada à versão importada.

michael-freeman-digital-photography-expert-colour-freemanMichael Freeman, nascido em 1945 na Inglaterra, parte de uma premissa diferenciada neste livro ao utilizar conceitos de design gráfico como a base de sustentação de suas idéias no livro, assim o que temos é um livro que foge das tradicionais regrinhas fotográficas e apresenta conceitos mais amplos e interessantes sobre a composição fotográfica.

Não é um livro sobre técnica, ele não trata de temas como a fotometria, ou ao cálculo de força de um flash, o que temos ali é o que realmente importa, uma ampla discussão sobre a harmonia, a composição e a estética fotográfica.

O livro parte do quadro da imagem, o recorte que todo fotógrafo deve fazer da realidade que se apresenta à sua frente, o como preencher este quadro e harmonizá-lo em termos de formas, dinâmicas e tensões.

Num segundo momento há a apresentação de conceitos básicos de design gráfico, no qual ele baseia seu texto nas idéias de Johannes Itten, um dos principais nomes na primeira fase e no desenvolvimento dos cursos de design da escola Bauhaus, na Alemanha. O uso da teoria do contraste como forma de compor uma imagem é certamente um dos pontos altos do livro e por si já faz deste um item obrigatório na biblioteca de todo fotógrafo.

O livro segue com boas passagens a respeito de Gestalt, Equilíbrio, Tensão Dinâmica, Planos, Ritmo até que chegamos a outro ponto alto da leitura (sem desmerecer os tópicos anteriores), sobre Perspectiva e Profundidade, que é um dos trechos mais detalhados e técnicos do livro, e que merece uma leitura cuidadosa pois muitas boas idéias fotográficas podem surgir dos conceitos ali apresentados.

Seguimos com conceitos geométricos na fotografia, como o uso de formas subentendidas na composição, imagens que formem, através da lei da continuidade da Gestalt, triângulos, retângulos, círculos etc.

Um ponto mais fraco do livro é a parte de Óptica, no qual Freeman apresenta apenas brevemente os efeitos da escolha das objetivas, como grande angular e tele objetiva na perspectiva e na profundidade das imagens. Não existem erros nesta parte, mas penso que poderia haver mais profundidade neste tópico, visto que a escolha de lentes é uma das grandes assinaturas visuais do fotógrafo e que acarreta boa parte do envolvimento ou não envolvimento do observador da imagem com o que foi retratado. Ele apenas pincela a questão da câmera subjetiva no cinema e isto poderia certamente ser desenvolvido, em oposição ao conceito de câmera transparente, que não foi abordado no livro. Não chega a macular o livro, como eu disse não há nada de errado com o tópico, apenas falta profundidade.

O Olho do Fotógrafo volta a ganhar força com a explicação sobre a composição por luz e sombra (chiaroscuro), o uso das cores e a relação entre as cores.

Daí em diante o autor versará sobre a escolha de composição do fotógrafo, entre mais convencional ou criativa, imagens que aconteçam devido à reação do fotógrafo ou devido ao planejamento prévio, simplicidade em oposição à complexidade e chegando ao processo fotográfico em si, a forma como o fotógrafo pode buscar uma metodologia para “caçar” suas imagens, organizar a composição e explorar seus temas com maior profundidade visual.

Em resumo, é um ótimo livro, uma leitura muito recomendada, e cujo maior mérito é o de não se prender à regrinhas prontas e sim buscar conceitos mais amplos, úteis e interessantes.

Gostaria de fechar com uma frase retirada do capítulo 5 do livro, e que em minha opinião resume o espírito da obra: “O Que dá a composição uma má reputação é a sugestão de que existem regras”.

De 0 a 10, O Olho do Fotógrafo, de Michael Freeman, leva 9 e só não leva 10 por não ter aprofundado mais o capítulo sobre Óptica.

Na próxima resenha falarei um ppouco sobre uma outro obra deste mesmo autor, o livro ” A Mente do Fotógrafo”.

Até a próxima!

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