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Roteiro para a sessão fotográfica

Quem nunca teve o coração acelerado por descer em uma montanha russa em um parque de diversões, ou viu alguém chorando em um filme com final feliz, ou ainda suspirou ao receber uma visita de alguém especial ou um presente inesperado?

Todos os casos possuem algo em comum: a emoção! Hoje, considero-a como um fator primordial para se compor um bom registro fotográfico. Todavia, a emoção não é manipulada. A verdade é que, em qualquer ocasião, ela já foi gerada, por uma expectativa, uma lembrança, um sentimento, um momento. O que é necessário, portanto, são os estímulos corretos, de maneira que ela apareça, que se evidencie no olhar, no sorriso de cada fotografado, e gradativamente vá criando forças e dominando todo o espaço, bem como os envolvidos.

Casamento Carlos e Renata – Ailton Fernandes Fotografia

Para muitos que me procuram para obter ajuda, tanto os que estão iniciando a carreira fotográfica, quanto alguns velhos de casa, que são um tanto inibidos, é quase dominador o problema de não conseguirem construir uma composição emocionante, uma condução adequada entre os participantes. E aqui vou restringir apenas aos ensaios e sessões externas, visto que nas cerimônias e festas temos um vasto campo com várias ocasiões de estímulos emocionais acontecendo, onde os noivos, ou o casal, são afetados naturalmente, sendo assim, aplicadas outras técnicas.

Estão lembrados que no início disse que a emoção é estimulada? Quanto mais estímulos, sejam diretos ou indiretos, você possuir em uma composição, maior será a reação de quem contempla. Por isso procuro seguir 3 princípios básicos de gestão, na criação de um roteiro de uma sessão fotográfica:

1. Gestão do Espaço. 

A pose que você está criando tem um tema? Ela trará consigo diversão, sensualidade, conscientização? É com base no tema que posiciono o casal em cada cenário. Cenários verdes, coloridos, céu azulado, um sol quente, expressam alegria, entusiasmo, diversão. Um céu carregado de nuvens, um pôr do sol, onde as cores já não estão tão vívidas, um lugar noturno a meia luz, todos trazem um ar apaixonante, envolvente, uma necessidade de proximidade, onde os dois estão unidos. É uma forma básica de classificação. Temos ainda os softwares de edição, filtros e técnicas que nos permitem inverter esses ambientes, transformando um ambiente alegre de cores, em algo mais neutro e clássico, e vice versa. Aqui são estímulos indiretos que fornecemos, de forma que a visão e o cérebro processarão como um todo no resultado final.

Casamento Aline e Tiago – Ailton Fernandes Fotografia

2. Gestão de Pessoas. 

Costumo dizer que fotógrafos não ganham clientes, ganham amigos. É extremamente ideal conhecer a história do casal ou do(a) modelo. Perguntar, questionar momentos marcantes, momentos em que deram gargalhadas ao me contar, que trocaram tapas e “aiai’s” engraçados um do outro quando mencionaram erros, de momentos difíceis que fortaleceram a união dos dois. São esses momentos que trago a vivência no momento da sessão. Faço-os entrarem em convergência, saírem do espaço que estão e entrarem lá naquele momento citado por eles. É tão estimulante que às vezes parece que estou revivenciando juntamente com eles o momento. Aqui são estímulos diretos, que farão os dois externarem da forma mais perfeita possível a emoção para a foto.

Ensaio gestante – Ailton Fernandes

3. Gestão de Detalhes. 

Nesse aspecto sempre procuro tomar cuidado. Um detalhe pode enriquecer um registro, como também roubar e estragar toda a cena. Nos detalhes me atento à maquiagem utilizada, a combinação de roupas do casal com o ambiente escolhido, e entre os dois também (nesses dois detalhes você pode contar com a opinião e experiência de profissionais da área). É necessário opinar! Geralmente mulheres se importam mais, se arrumam mais, e no final, não pode ocorrer um jugo desigual, com relação ao homem, um mais produzido que o outro. Observo se principais membros ou detalhes faciais (são os que mais agregam na composição) estão colocados ou direcionados de forma harmônica.

Às vezes saiu aquele sorriso tão esperado, mas os braços estão soltos, e não envolvidos, ou uma mão tampou o rosto que escondeu o sorriso. Dê um ponto diretivo para que o casal possa olhar. “Olhe para lá, olhe para baixo, olhe para cima”, são exemplos de expressões que não uso, sem fornecer um ponto direto. Assim você evitará um olhar morto. Até mesmo quando peço que fechem os olhos, dou um objetivo pra imaginarem. Você verá o resultado refletindo na expressão deles. Corrija a postura do casal. Nosso mundo, trabalho e máquinas, se tornaram desfavoráveis para se manter uma boa postura. Logo é inevitável que pelo menos um deles sofra com a má postura.

Por fim observe o ambiente e procure objetos que tiram a atenção da foto em si. Exemplos? Galhos, folhas, troncos, pedras invadindo a foto quando tirada em vegetações, lixeiras, postes de iluminação, bancos, veículos estacionados quando utilizado ambientes abertos, que de maneira alguma formam um belo background para suas imagens. Aqui também são estímulos indiretos, que fecham a composição da foto.

Com a prática, toda essa gestão acontece de maneira muito rápida em cada cena. E se tornará mais evidente em seu olhar cada vez que essa emoção também tomar uma parte de você, de maneira prazerosa.

4 comentários, RSS

  • Cleonice Sabino

    says on:
    23 de outubro de 2017 at 19:19

    Gostei muito do texto. Principalmente os detalhes que explicam sobre direcionamento dos olhares.

  • Daiane

    says on:
    24 de outubro de 2017 at 18:15

    Ailton, gostei muito do texto. Aprendi muito!

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