O Som das Cores, A Pele do Tempo

O Som das Cores, A Pele do Tempo
O Som das Cores, A Pele do Tempo

O branco é a tela. É a paz que antecede o trovão, a folha em branco onde a história está prestes a ser escrita. E sobre essa tela de algodão puro, um arco-íris se derrama em fitas. São orações coloridas que dançam com o vento, rastros de alegria que flutuam no ar, celebrando a vida antes mesmo que a primeira nota soe.

A riqueza do Folclore Brasileiro aparece. Então, o silêncio se parte. Não se quebra, mas se abre, como um rio que encontra o mar.

Vem do couro esticado, da madeira que um dia foi árvore e hoje é voz. Cada tambor é um peito aberto, um coração pulsante que não bate sozinho; ele chama, ele convoca. É o som grave da terra, a pulsação antiga que nos lembra de onde viemos. É o ritmo que alinha a alma.

E a mão responde.

A mão que segura a baqueta não é apenas carne e osso; é memória. É a extensão de gerações, o elo visível entre o avô que ensinou e o neto que agora toca. A pele da mão encontra a pele do tambor e, nesse toque, o tempo se dobra. O passado e o presente se fundem em um único instante vibrante. Não há antes, não há depois. Há apenas o agora.

O que ouvimos não é só música. É a comunhão rica do Folclore Brasileiro. É o chão que treme sob os pés, a energia que sobe pela espinha. O que vemos não são apenas cores; é a própria fé vestida de festa.

É a herança que não se escreve em livros, mas se grava no peito. O som da nossa gente. A cor da nossa alma. A pele do tempo, soando agora, e para sempre.

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