O Silêncio das Telhas

Há cidades que não se fotografam — se revelam. Ouro Preto tem esse jeito de esperar por quem sabe olhar devagar: as ruas sobem e descem como se contassem uma história antiga, e a luz, quando finalmente encontra as pedras, parece hesitar antes de tocá-las.

Foi numa tarde de dezembro de 2025 que um galho florido insistiu em entrar no quadro, como se a própria natureza quisesse assinar a cena junto comigo. Ao fundo, a torre sineira se ergue entre os telhados, discreta, guardando um tempo que as ruas desta cidade teimam em não deixar passar depressa demais.

Entre uma nuvem e outra, entre um telhado e o próximo, ficou este instante — pequeno, quieto, e por isso mesmo, inteiro.