Há cidades que não se visitam — habitam-se por um instante, e ficam guardadas na pele do olhar.
Ouro Preto ergue sua torre contra o céu como quem ainda reza baixinho, entre a cruz e as nuvens que passam devagar, sem pressa de dizer para onde vão.
As palmeiras balançam ao lado da pedra antiga, verde vivo tocando o ocre do tempo, como se a natureza quisesse lembrar que também ela é memória.
Nas janelas verdes do casarão, um silêncio morno espera. Talvez alguém já tenha olhado o mesmo horizonte de montanhas, séculos atrás, sem saber que a paisagem ainda seria a mesma.
A rua de pedra segue em declive, discreta, levando passos pequenos rumo a algum lugar que talvez nem eles conheçam. É assim o tempo em Ouro Preto: não apressa ninguém, apenas acompanha.
E o céu, generoso em nuvens, parece guardar tudo o que a cidade não diz em palavras.
