A cidade não caminha em um único tempo.
Diante da igreja, uma carroça avança sobre as pedras enquanto os automóveis seguem logo adiante. No mesmo espaço, diferentes ritmos se encontram: o passo do animal, o giro apressado das rodas, o movimento dos pedestres e a quietude das torres.
Talvez o tempo não passe da maneira linear que imaginamos. Algumas coisas desaparecem; outras permanecem, adaptam-se e continuam atravessando o presente como lembranças que se recusam a ficar imóveis.
A fotografia aproxima aquilo que normalmente enxergamos como distante. Dentro de um único quadro, o antigo e o contemporâneo deixam de ser opostos e passam a compartilhar a mesma rua.
Registrar essa convivência é também refletir sobre a relação entre fotografia e memória. Cada imagem preserva não apenas a aparência de um lugar, mas os gestos, os encontros e as contradições de uma época.
Ao fundo, a igreja permanece como presença silenciosa. Suas torres apontam para o céu enquanto, abaixo delas, a vida cotidiana continua — tema que também atravessa a exposição sobre as igrejas históricas de Minas Gerais.
Entre a pressa e o sino, a cidade revela que o passado nem sempre está atrás de nós. Às vezes, ele segue ao nosso lado.
