Há dias em que o céu parece descer sobre a cidade.
Numa rua histórica de Ouro Preto, as nuvens avançam sobre os telhados enquanto pequenas frestas de azul ainda resistem. A luz percorre as fachadas, desperta suas cores e encontra repouso nas pedras antigas.
A rua está silenciosa, mas não está vazia. Em cada porta, janela e parede permanece algo das pessoas que passaram por ali. Algumas deixaram marcas visíveis; outras sobreviveram apenas na lembrança de quem aprendeu a observar.
Fotografar uma cidade talvez seja uma maneira de perguntar o que permanece quando tudo continua mudando. A imagem interrompe o movimento por um instante e transforma o presente em lembrança, reafirmando a relação entre fotografia e memória.
Ao fundo, as torres elevam-se entre os casarões e recordam como a paisagem de Minas se constrói no encontro entre cotidiano, fé e arquitetura. Um diálogo que também atravessa a exposição sobre as igrejas históricas de Minas Gerais.
O céu ameaça tempestade, mas a claridade permanece. Talvez seja assim também com o tempo: uma alternância entre aquilo que se fecha e aquilo que, inesperadamente, volta a se abrir.
Em Ouro Preto, até a tempestade parece aprender a caminhar devagar.
