Existe um amarelo que só o tempo sabe pintar — não o amarelo vivo do agora, mas aquele que se deposita devagar sobre a cal, ano após ano, até virar memória.
A ponte de pedra atravessa o pequeno curso d’água como quem liga dois silêncios: de um lado, a cruz que observa; do outro, o casarão que ainda guarda janelas em arco, como olhos entreabertos para o céu de Ouro Preto.
O ferro do balcão desenha rendas contra a claridade da manhã, e a bandeira, leve, parece contar ao vento o que as pedras não dizem.
Há uma vegetação teimosa que insiste em crescer junto ao muro, lembrando que mesmo o que é feito para durar precisa, de vez em quando, dividir espaço com o que nasce sozinho.
E o céu azul, quase sem pressa, cobre tudo — a ponte, a cruz, o casarão — como se soubesse que ali o tempo caminha em outro ritmo.
